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Engenharia Eletrônica

Sistema ultrassônico multifrequencial para controle de bioincrustação

Sistema ultrassônico multifrequencial para controle de bioincrustação em embarcações

A bioincrustação é um problema antigo em embarcações. Cracas, algas e outros organismos aderem ao casco e a componentes submersos, aumentando a necessidade de limpeza e manutenção e, dependendo da intensidade da incrustação, podendo também aumentar a resistência hidrodinâmica da embarcação.

A remoção dessas incrustações exige manutenção periódica. Além do custo de retirar uma embarcação da água, a limpeza do casco precisa considerar aspectos ambientais, pois a bioincrustação é reconhecida como um dos meios de transporte de espécies aquáticas invasoras entre diferentes regiões.

Do sonar naval ao antifouling ultrassônico

A relação entre ultrassom e bioincrustação marítima é conhecida há décadas. Já em 1947 havia estudos da Marinha dos Estados Unidos sobre corrosão e incrustações em equipamentos de sonar.

A literatura técnica posterior também registra a observação, atribuída a testes navais realizados a partir da década de 1950, de que regiões próximas aos transdutores de sonar apresentavam menor formação de incrustações.

A partir dessas observações surgiram pesquisas e diferentes tecnologias utilizando energia ultrassônica para dificultar a formação de biofilme e o assentamento de organismos sobre superfícies submersas.

O desafio do projeto

A ECK participou do desenvolvimento de um sistema eletrônico antifouling para embarcações, no qual um dos principais requisitos era o baixo consumo de energia, permitindo sua operação contínua a partir do próprio sistema elétrico da embarcação.

Outro desafio era a própria natureza da aplicação. O transdutor não trabalha isoladamente. Depois de instalado, ele passa a fazer parte de um conjunto formado pelo transdutor, sua fixação, o casco e a água. A resposta mecânica e acústica desse conjunto depende de diversos fatores e não é conveniente depender de uma única frequência fixa de operação.

A solução multifrequencial

A solução desenvolvida pela ECK utiliza um módulo eletrônico de potência controlado por firmware para acionamento de transdutores ultrassônicos em múltiplas frequências.

Em vez de permanecer continuamente em uma única frequência, o sistema percorre uma tabela de frequências predefinidas. Essa estratégia permite excitar diferentes condições do conjunto transdutor–casco e reduz a dependência de uma única frequência de operação.

Também permite explorar diferentes faixas de frequência utilizadas em aplicações antifouling. Estudos mostram que o efeito sobre a bioincrustação depende do organismo, da frequência, da intensidade acústica e das condições de instalação. Por isso, a utilização de múltiplas frequências é particularmente interessante nessa aplicação.

Eletrônica de potência e controle

Um dos principais desafios de engenharia foi desenvolver uma eletrônica capaz de excitar adequadamente os transdutores ultrassônicos utilizando a alimentação disponível na embarcação.

O projeto envolveu conversão de potência, acionamento por MOSFETs, transformadores elevadores, geração controlada de frequências e firmware embarcado.

A eletrônica converte a energia disponível no sistema elétrico da embarcação nos sinais necessários para excitar os transdutores nas diferentes frequências determinadas pelo firmware. O resultado é uma solução de baixo consumo destinada a transmitir energia ultrassônica ao casco de forma contínua.

Como o ultrassom atua contra a bioincrustação

A energia produzida pelo transdutor é transferida para a estrutura e para a água em contato com o casco.

Dependendo da frequência, intensidade e condições de operação, o ultrassom pode produzir vibrações superficiais e fenômenos acústicos, incluindo cavitação, que interferem na formação do biofilme e no assentamento de organismos incrustantes.

O objetivo não é remover mecanicamente uma camada de cracas já estabelecida, mas dificultar continuamente as condições necessárias para o desenvolvimento da bioincrustação. Isso torna a tecnologia particularmente interessante como sistema preventivo.

Menos incrustação, menos manutenção

Para o proprietário da embarcação, reduzir a formação de cracas e algas significa aumentar o intervalo entre intervenções de limpeza do casco. Isso pode representar menos retiradas da embarcação da água, menor necessidade de raspagem e pintura e redução dos custos associados à manutenção.

Há ainda uma questão ambiental importante. Organismos aderidos aos cascos podem ser transportados por grandes distâncias e introduzidos em ambientes onde não existiam originalmente. O controle da bioincrustação é, portanto, também uma das ferramentas utilizadas para reduzir o transporte de espécies invasoras.

Engenharia aplicada ao problema

O projeto reuniu diferentes competências da ECK em um único desenvolvimento. Mais do que simplesmente gerar ultrassom, o desafio foi desenvolver um equipamento de baixo consumo e capaz de trabalhar com diferentes frequências, adequado às particularidades de uma aplicação antifouling.

Veja também outros projetos de engenharia eletrônica desenvolvidos pela ECK.

Tecnologias envolvidas

UltrassomEletrônica de potênciaMOSFETTransformadoresTransdutores piezoelétricosFirmware embarcadoMultifrequênciaAplicação naval

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